segunda-feira, 15 de setembro de 2014

- devaneios de dois segundos.

é tudo tão estranho, parece que de um segundo para o outro tudo mudou, eu mudei, não tenho a certeza de quando nem porquê, não tenho certeza de nada, acho que perdi algo durante o caminho, pelo menos perdi-me a mim e não sei como me encontrar.. quando te perguntam:

- e o que queres fazer agora?

esperam que tu tenhas uma ideia do que queres e que isso seja quem tu és agora, que os teus desejos te definam, que penses em tudo o que queres sem pensares no que os outros vão pensar de ti ou o que querem que tu sejas; e o problema é esse, é que tu não sabes, não te ocorre mesmo nenhuma ideia sobre o que queres. não é uma questão de certo ou errado, não é uma coisa simples, nunca foi e a dor nunca é fácil.
neste momento sinto-me um destruída por dentro, pior que psicologicamente, foi a minha alma, foi o meu ser, por completo que se desfez em pequenos pedaços e eu juro que todos os dias tento colar mais um pedacinho e normalmente resulta.

- sabes?

normalmente está tudo bem, eu sou feliz, sou uma pessoa diferente mas consigo apreciar isso, gostar da mudança, sentir-me bem com todo o mal, excepto quando em dois segundos e, por vezes, sem motivo nenhum aparente tenho crises existenciais, em que tudo o que estava perfeito para mim quando acordei torna-se numa espécie de avalanche emocional que cai por cima de mim.
aí é o caos, o pânico e o terror completo dentro de mim; as lágrimas ficam presas, por vezes não caiem, outras são tão abundantes que deixo de conseguir ver; o ar desaparece do meu sistema, é como se não soubesse respirar; as minhas mãos tremem tanto que parecem gelatina; mas o pior? o pior é definitivamente os gritos que ecoam na minha cabeça e a minha garganta não permite que saiam; é tudo em excesso, parece que durante 1 minuto vou morrer, sozinha e sufocada pela minha própria voz.
nunca ponderei um mudar por alguém e não tenho por hábito ser o que as pessoas esperam, mas agora pergunto-me:

- quantas pessoas sabem disto? quantas pessoas conseguem lidar com esta tua faceta? quantas pessoas estão habituadas a uma parte de mim que já não existe? quantas pessoas se vão conseguir adaptar aos meus ataques no meio de um dia magnifico? será que alguém vai conseguir entender que não é uma espécie de birra por um amor que não deu certo?
tenho tantas perguntas e ninguém para as responder, nem uma pessoa, porque sou covarde neste aspecto, eu sei que as pessoas me acham muito corajosa e normalmente sou, mas não agora, não quando tenho uma crise, não consigo colar as peças nesses momentos, não sei sequer onde estão as peças pois, para mim está tudo mal, cada escolha que fiz neste últimos tempos parece errada, o não contar nada disto, o não falar de nada mas falar de tudo, todas as escolhas que eu consigo argumentar e defender quando estou «lúcida» tornam-se erros, porque eu sinto que não consigo fazer nada bem.
num dos meus devaneios descobri que um dos meus problemas é a minha frieza e a falta de emoções, eu fujo, literalmente eu corro para longe de tudo isso sem sequer pensar antes, eu fujo, aviso que vou fugir e quando me apercebo estou tão longe que já não sei o caminho de volta.

- como é que uma pessoa tão emocional consegue ser tão má e tão fria? quando é que mudei tanto? onde é que eu me perdi?

a falta de ar faz com que eu deixe de conseguir pensar, de repente fecho os olhos com toda a força que tenho e respirar torna-se natural outra vez; ao abrir os olhos descubro que está tudo no mesmo sitio, que não consigo andar quando isto acontece; lembro-me de todos os meus argumentos, de todas as justificações para ser como sou hoje e tudo fica bem outra vez, como se tudo isto não tivesse passado de um pesadelo, tudo fica bem e ninguém precisa de saber algo que nem eu sei explicar, tudo fica bem. tem de ficar bem.

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